terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Tempero do Look na coluna "Gran Angular", em um jornal argentino!

Depois de alguns dias sem publicar, devido às tarefas natalinas, volto com esta surpresa, um artigo escrito por meu amigo de longuíssima data (20 anos), Valdir Peyceré, fotógrafo, poeta e colunista de um jornal na cidade de Santa Rosa de Calamuchita, província de Córdoba, na Argentina. Nesse artigo, publicado no dia 21/12/2013, no jornal "Tr3s", Valdir estabelece um diálogo com colocações deste blog.
Nossas sempre produtivas conversas, acerca de literatura, cultura, artes, música, e agora moda, geraram esse entrecruzamento de linguagens, em que a obsessão imagética do fotógrafo meets a inquietação criativa que a imagem pessoal me causa.
Enfim, mesmo em espanhol, acredito que a compreensão seja fácil.
Fico muito feliz por esse fato, já que em menos de um mês de existência ganhamos uma menção internacional!

Algo sobre moda
Yo no puedo más ser punk en Hamburgo o Liberpool;
ahora soy más viejo y veo el mundo con otros ojos (…)”
John Lennon
Crédito da imagem: Valdir Peyceré.

La moda, el estilo… forman parte de nuestros hábitos, la manera en que nos vestimos es parte de nuestra forma de ser y nuestra manera de decir cosas sin decirlas. La moda de los junkies de los 90, de los punks de los 80 (atrasados casi un lustro de los ingleses que habían comenzado a partir del final de los 70 con bandas como Sex Pistols, Ramones o The Clash); la moda hippie de los 60 (con el punto alto en el Carnaby Street londinense y el famoso recital en Woodstock…). En la tele a veces me gusta agarrar aquellos “viejos” films y adivinar más o menos en que época fueron producidos. ¿Cómo los reconocemos?. Generalmente por el atuendo de las mujeres. Los peinados, la pintura (por suerte ahora se pintan menos… nunca me gustó el exceso de mak-up en las chicas!). Hace tiempo una bella periodista brasileña me quiso entrevistar en plena Av. Paulista… me señaló en el “montón” de transeúntes que pululan por la espina dorsal y nerviosa del corazón financiero paulistano y me preguntó como elegía mi ropa. Se refería a la ropa con que salía a la calle… Le pareció algo singular o personal mi indumentaria. Después, hablando, creo que se decepcionó un poco por lo que dije (en aquella época, mediados de los 90, no tenía La cancha que creo haber adquirido con los años de tanto hablar en y con los medios). Siempre recuerdo aquel momento. Mi amiga Silvia Regina Cabrera en su blog www.temperodolook.blogspot.com coloca con bastante felicidad que el “lifestyle” “es una traducción de nuestro mundo interior” y que “la moda sale de moda; el estilo, jamás”. Y agrega: La moda es lo que los otros hacen para que nosotros usemos. Estilo es algo forjado internamente, son las búsquedas y aquello que escogemos a lo largo de nuestra vida. Y por fin, dos cosas que me parecen fundamentales: “Moda es oferta; estilo es elección”. “El estilo es la manera que encontramos para decir quienes somos”. Tener o no estilo; esa es la cuestión.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Sobre o projeto "Tempero do Look" (parte 1)

Para quem me conhece, sabe que na trajetória dos últimos cinco anos percorri um grande circuito "fashion": faculdade de Moda, cursos de design joalheiro, ourivesaria, produção de moda, personal stylist, branding... Enfim, uma imersão radical neste mundo das rendas, babados e glamour (#sqn).
Brincadeiras à parte, neste percurso fui percebendo claramente tudo o que NÃO GOSTO na Moda - e a confecção ganhou disparado. Definitivamente não nasci para agulhas, máquinas de costura, moldes, tecidos...
No entanto, desde muito tempo brinco timidamente com miçangas, contas, pedrarias, strass, correntes, fundições... Das pulseirinhas feitas com fio de silicone e contas plásticas da 25 de março (com minha primeira label, a "Bijukitty's"); das peças (já com a segunda marca, "Balaio da Gata") com ar rebelde e "experimental" que ganharam as prateleiras do extinto Espaço Sarabelga em Moema no ano de 2008, e posteriormente pelas mãos da Sarah Lima chegaram a marcar presença rápida em Berlim e Paris... Destas produções até a primeira vez em que chamusquei o dedo no maçarico recozendo a prata para fazer minha primeira joia de verdade... São mais de sete anos me divertindo e aprendendo muito a respeito desse mundo chamado acessório.
O tempo, as experiências, o conhecimento acadêmico, tudo se somou e amadureceu minha visão a respeito do assunto. Pelo fato de já existir uma loja chamada "Balaio das Gatas", troquei o nome do projeto. Senti que poderia ousar mais. E pensando na questão do Estilo Pessoal, e de como um acessório pode transformar um visual insosso em uma imagem marcante e cheia de personalidade... Então, os acessórios para mim são o "Tempero do Look". E assim foi batizada a criança.
Depois deste breve "revival", no próximo post falarei a respeito desta nova fase.

Peça criada em 2008, colar "Floresta Tropicália", inspiração Tropicalismo, para o Espaço Sarabelga.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Seu estilo, seu mundo!

Atualmente, fala-se muito em LIFESTYLE, ou "Estilo de Vida". Parece que finalmente reconhece-se que não somos produtos que cabem numa única caixinha padronizada. Que, sendo únicos, não é mais do que natural que sejamos em essência diferentes!
Mas, mesmo na diferença, a natureza humana nos une em certos pontos, fazendo com que partilhemos de afinidades com outros seres da nossa espécie.
Já falei um pouquinho do ESTILO PESSOAL, e propositadamente vou destilando em gotas a conversa, afinal o intuito dos textos é gerar reflexões, e não despejar montes de informações. O mundo já faz isso conosco o tempo todo, o blog quer dar a chance de uma pausa para respirar!
Sobre a questão do estilo, na vida pessoal, o importante é saber que ele veste uma pessoa real que carrega dentro de si um universo inteiro. Sim, os nossos gostos, crenças, opiniões, cultura, valores, lembranças, esperanças, até as pequenas (e grandes) loucuras, tudo extravasa para o exterior pelo vestir e pelo adornar-se. E esse estilo se prolonga nas nossas escolhas do dia-a-dia, assim vamos construindo e transformando os nossos espaços em pequenos retratos de quem somos.

Painel "Estilo de Vida" para o Portifólio de Conclusão de Curso "Design de Joias" SENAI 2011.

Aquela pessoa metódica que gosta de tudo organizadinho...
O sujeito "cuca-fresca" que é um simpático desorganizado...
A pessoa totalmente high-tech...
Aquele que se atrapalha até com os botões do controle-remoto da TV...
O amante da natureza, que adora andar descalço na grama...
O cosmopolita, apreciador das grandes metrópoles e suas estruturas lineares e concretas...
Há os minimalistas, assim como existem os barrocos!
O lifestyle é uma tradução do nosso mundo interior. Aos poucos, vamos nos acercando daquilo que gostamos, dos objetos com os quais nos identificamos, e o estilo vai dando a nossa "cara" a tudo o que nos diz respeito.
O que o seu espaço comunica sobre você?

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Um estilo pra chamar de seu...

Crédito da imagem: http://www.unique-se.com.br

Depois de alguns aspectos introdutórios sobre a história dos acessórios, definições de moda e estilo, filosofia da ornamentação humana, agora quero iniciar a conversa sobre os estilos individuais, o primeiro passo para que possamos "nos encontrar" no mundo do vestuário e dos acessórios.
Todos nós temos um "estilo", ou seja, uma forma marcante de estar no mundo. Mesmo que não saibamos!
Aquele "jeitinho especial" em algum gesto cotidiano, palavras os expressões que usamos com frequência, o perfume predileto, a maneira como penteamos os cabelos ou colocamos uma echarpe nos ombros... Há uma série de "sinais" que deixamos por onde passamos, até que um dia alguém reconhece essas mensagens e afirma: "Ah, isso é a sua cara!"
Em tudo o que fazemos, deixamos impresso algo pessoal. O estilo começa aí. E se estende para além das fronteiras interiores, nossas crenças, valores e ideais extravasam o plano das ideias e chegam ao mundo exterior, aonde se comunicam com outras pessoas.
A roupa que usamos: o tecido, o corte, o comprimento, a modelagem ampla ou mais justa, a cor, as estampas - ou ausência delas, o "combinar tudo" ou o "descombinar total", sim, todos estes elementos representam um depoimento a respeito de nós. Pois são frutos de escolhas, sejam elas conscientes ou inconscientes.
Aquilo que vestimos, calçamos, usamos como complemento, são a materialização da nossa personalidade. São uma comunicação direta com o mundo ao redor de nós.
Você já se olhou no espelho com divertida curiosidade, e perguntou-se: "Afinal, qual é o meu estilo?"

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Estilo Pessoal: A chave para suas escolhas acertadas

A primeira (e melhor) afirmação que se fez sobre Estilo foi dada por Gabrielle Chanel, a eterna criadora da moda do Século XX:

"A Moda sai de moda, o Estilo jamais."

Pode-se dizer que a Moda é aquilo que vem de fora, está sempre se renovando. Seu ciclo é assim, é o que garante sua sobrevivência enquanto sistema e indústria. A Moda é o que os outros fazem, para nós usarmos (ou não).
Estilo, por sua vez, é algo forjado internamente, são as escolhas que vamos acumulando ao longo da vida, está sempre se refinando, afirmando nossa identidade. O Estilo é a maneira que encontramos para dizer quem somos.
Glória Kalil aproxima-se do pensamento de Chanel, ao dizer:

"Moda é oferta, Estilo é escolha."

Cada pessoa, felizmente, é única, portanto não existe "certo" e "errado" em matéria de estilo. O que pode estar errado é quando o estilo não combina com a pessoa. Mais uma vez, lembrando de Epictetus, é preciso conhecer-se para saber expressar coerentemente seu estilo!
Como toda oferta, nem tudo o que está na Moda temos a obrigação de incorporar. O Estilo entra em cena para avaliar e adequar as informações de moda ao nosso jeito de ser. O Estilo escolhe o que devemos usar, e o que podemos rejeitar sem dor de consciência!
Para refletir, um trecho do livro de Ana Vaz: Pequeno livro de estilo - guia para toda hora.


Crédito da imagem: http://modaecultura.com.br

Vestir-se é básico; adornar-se é fundamental.

"Conheça primeiro quem você é, depois adorne-se de acordo."

Esta frase, incrível, é de autoria de Epictetus, filósofo grego que viveu no primeiro século da nossa era. Há quase 2000 anos, ele já considerava que adornar-se é a mais pura expressão do "EU". É uma afirmação de identidade e de individualidade.
Para se chegar a essa comunicação, Epictetus frisa a importância do autoconhecimento. "Adornar-se de acordo" significa fazer escolhas coerentes, que imprimam consistência à imagem que apresentamos ao mundo. Conhecer-se é o caminho para respeitar-se, é conciliar hábitos, personalidade, preferências e jeito de encarar a vida. É aceitar-se, de bom grado.

Credito da imagem: http://freirodrigodearaujo.blogspot.com.br

A necessidade básica de todo ser humano é, por questões culturais, cobrir a nudez do corpo. Da folha de parreira bíblica aos modelitos haute-couture, o intuito é o mesmo.
Porém, com a evolução dos costumes, a vestimenta ganhou diferenciações por sexo, classe social, idade, cultura, país, ritos religiosos, enfim, há uma gama enorme de variações sobre um mesmo tema.
E o que nos diferencia destes padrões é o estilo pessoal, único e intransferível. Estilo é a assinatura do "eu", é a mensagem que passamos ao mundo antes de proferir uma palavra sequer.
Conhecer-se é o primeiro passo para emitir uma mensagem que dialogue harmonicamente com o mundo.

Adornar-se: desejo, necessidade ou vontade?

Hoje, quando paramos em frente ao espelho e decidimos qual acessório incorporar ao look, pensamos em questões do tipo: "Aonde vou?", "Com quem me encontrarei?", "Que complementos a ocasião pede?", "Combina com a roupa, com o sapato?", "Tem a ver comigo?".
Nem de longe imaginamos que há muito tempo atrás, nossos ancestrais do período Paleolítico também "escolhiam" seus looks, baseados em motivações um pouco diferentes das nossas: "Cacei um animal feroz e quero mostrar minha valentia para o grupo", "Esta concha tem beleza e me dá prazer admirá-la, portanto carregarei-a comigo", "A Natureza me fascina, e quero me apropriar de seus encantos".
Ou seja, desde sempre a natureza humana vem dotada de senso estético, fazendo com que a pintura e o uso de adornos corporais faça parte de um ritual mítico-mágico para o homem.

Crédito da imagem: www.todaformosa.com.br

A arte de enfeitar-se nasceu da curiosidade, da observação dos padrões exuberantes da Natureza, da coleta de materiais raros, estranhos e brilhantes que cruzavam o caminho da humanidade em evolução: dos primeiros dentes, ossos e chifres de animais, às madeiras, conchas, pedras, metais e outros artigos que atraíram o olhar criativo dos homens primitivos.
Sendo assim, cada vez que colocamos um brinco na orelha, repetimos o gesto do antepassado que atravessou sua carne com uma lasca afiada de osso, na certeza de que com este dolorido gesto estava afirmando sua identidade única e se distinguindo no grupo a que pertencia.